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Eu sou mulher à toa e não tenho mais o que fazer. Não tenho mais que ser amante. Não tenho mais que ser esposa. Não tenho mais que ser namorada. Não tenho mais que ser mãe — se não quiser.  Não tenho mais que dar satisfação. Não tenho mais que me ajoelhar diante de um padre. Não tenho mais que escutar conversinha mole e cantada ordinária na rua. Não tenho mais que levar tapa. Não tenho mais que ser tocada — se não quiser.  Não tenho mais que ser bonita para ser aceita, nem magra, nem elegante, nem sarada, nem modelo — só se eu quiser. Não tenho mais que entortar meu pé num salto, borrar minha cara de base para obedecer a um código. Não tenho mais que esconder meu corpo. Não não tenho mais que ser obrigada a mostrá-lo. Não tenho mais que cuidar sozinha da casa e dos filhos. Não tenho mais que ser super. Não tenho mais que ganhar menos. Não tenho mais que baixar a cabeça. Não tenho mais que me calar. Não tenho mais que pedir licença para ser mulher.  E porque eu não tenho mais nada disso que fazer, eu sou à toa. Chamem-me vadia!

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